Emprego dos sonhos!
por Denise Meira do Amaral
Um dos maiores sonhos de quem já é formado no Brasil e está em terras estrangeiras é conseguir um trabalho em sua própria área de atuação. Muitos brasileiros vêm à Nova Zelândia com o intuito de estudar inglês e almejar a tão desejada vaga. Mas conseguir um espaço em um mercado de trabalho tão distante do Brasil pode não ser uma tarefa muito fácil, ainda mais em época de crise onde os imigrantes são um dos primeiros a serem cortados nos quadros de funcionários das empresas.
A Nova Zelândia, entretanto, ainda é bastante carente de profissionais qualificados em diversas áreas. De acordo com dados do Ministério do Trabalho da Nova Zelândia, a importância dos imigrantes qualificados cresceu muito nos últimos anos devido à escassez do mercado local neozelandês. Nos anos de 2007- 2008, 27.303 imigrantes ganharam residência devido ao programa de
´Skilled Migrant´ e
´Business Stream´. A Nova Zelândia ainda encoraja estudantes internacionais que obtiverem alguma qualificação aqui a entrarem no mercado de trabalho, oferecendo um visto de trabalho integral ao final do curso.
Porém, muitas vezes, pelo fato da habilidade com a língua ser limitada e o período de estadia também, muitos profissionais brasileiros encontram dificuldades na hora da seleção.
Ian Roger Cook, paulista de 28 anos, mora há quase quatro anos na Nova Zelândia e é gerente de prevenção ao crime e lavagem de dinheiro do Banco ASB. Segundo ele, o primordial é o domínio da língua.
“Não adianta você ter um inglês intermediário e achar que vai conseguir um trabalhona área aqui, isso é ilusão; por mais qualificado que a pessoa seja, sem o inglês suas chances despencam”.
Além da fluência na língua, o que pode facilitar o ingresso do profissional no mercado neozelandês é estudar algum curso de curta duração que lhe ofereça um diploma em sua área aqui. Essa requalificação é um grande passo para aumentar suas chances e seus contatos.
O que também pode ajudar o brasileiro a conseguir bons trabalhos é o fato dos kiwis não serem muito qualificados, de acordo com Ian. “Eles são mais acomodados, diferentes dos paulistas, mais ambiciosos”. “O mercado neozelandês é relativamente fácil, comparado ao brasileiro. As principais dificuldades são a língua inglesa, querer colocarse no mercado mas conhecê-lo pouco e ter menor rede de contatos. Isso torna a busca mais difícil, mas aos poucos se pode chegar onde quer”, explica a gaúcha
Patricia, 35, coordenadora de projetos arquitetônicos em uma empresa em Auckland. Segundo ela, o brasileiro é criativo, trabalhador, alegre e as pessoas gostam do nosso humor. Seu chefe disse que um dos fatores principais de sua contratação foi o fato dela ser brasileira.
“Ele valoriza muito o estrangeiro por achar que podemos trazer uma pitada de cor para os projetos. A junção de diferentes culturas pode trazer um resultado interessante e na maioria das vezes é isto que acontece”.
Na hora de procurar emprego,
Lyn Sparks, do
Business Immigration NZ Ltd, dá ainda uma boa dica:
“Não se limite somente em buscar vagas na internet e em jornais. Procure por empresas com perfis semelhantes ao seu e vá atrás”.
Tania Grady, da
Britanz, lembra também que antes de escolher o país de destino é importante verificar como anda a demanda de vagas na sua área, se sua experiência e qualificações seriam adequadas e se você necessitaria de um registro profissional nacional.
Segundo Ian, com a crise está difícil para todo mundo, então a hora de se requalificar é agora. Patrícia diz que é preciso ter muita paciência e persistência e aconselha a pesquisar termos técnicos de cada área, que pode fazer uma diferença enorme na entrevista.